quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um ano depois...

Velhos barcos, de Maximino Gomes (in www.1000imagens.com)

Um ano depois volto a este cais, onde outrora me refugiei de tempestades que habitavam o meu ser.
Fecho os olhos e relembro esta última viagem e percebo que fiz coisas que para mim eram impensáveis de fazer, até há um tempo atrás...mas deixei outras por fazer... umas vezes contrariada, outras não...
Criei oportunidades que agarrei e perdi horas de sono para decidir se havia de aceitar outras... acabei por as recusar...
Dei o meu melhor mesmo pensando que havia mais qualquer coisa que podia ter feito...
Deparei-me com vitórias, que pareceram ser ignoradas por outros, para que fossem esquecidas rapidamente...
Deparei-me com erros, que pareceram ser sublinhados por outros... para que não passassem despercebidos...
Decepcionei-me com pessoas que jamais pensei que me pudessem decepcionar e decepcionei outras...
Senti-me próxima de pessoas que agora estão ainda mais afastadas de mim.. distanciei-me de outras, por opção, sabendo que as poderia magoar... Aproximei-me de outras que estavam distantes...
Acreditei em quem não devia e desconfiei de quem merecia a minha confiança...
Ri, chorei, sonhei e caí na realidade...
Partilhei alegrias, tristezas e dúvidas... e vi-me envolvida em problemas que não eram meus... Acabei por lutar por causas que não eram as minhas... e por não conseguir lutar por aquelas em que acredito...

Conheci pessoas de quem gostei e de quem não gostei... cruzei-me com elas as vezes que (não) desejei... gostei de mais de algumas...
Nem sempre tive tempo para mim...
Ouvi, repetidamente, músicas com que me identifiquei...

Adiei leituras, acumulei papéis e recordações, algumas aparentemente insignificantes...
Coloquei dúvidas antigas na gaveta do esquecimento, umas permaneceram outras surgiram entretanto... bem como algumas certezas... 365 cheios de tudo e nada!

terça-feira, 10 de junho de 2008



Por vezes as pessoas sentem a necessidade de se afastarem apenas para ver se alguém se importa o suficiente para as seguir... Valerá a pena?!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

domingo, 9 de março de 2008

Ao princípio não havia caminhos...



Ao princípio não havia caminhos.
Nem veredas.
Nem atalhos.
Eram só montes. Só pedras. Só cardos.
Só silvas. Só espinhos. Só ouriços. Só matagais.
O HOMEM TENTOU
Tentou sozinho.
Uma vez... Duas vezes... Muitas vezes...
Em vão?
Foi desbravando a floresta.
Foi abrindo uma galeria.
O labirinto foi-se abrindo.
Já conhecia uma passagem.
Nela tinha ele a certeza de passar.
Pisou-a muitas vezes.
Foi-a calcorreando.
Cada vez se abria mais a clareira que abrira.
Passou muitas vezes.
Pacificamente.
Com firmeza.
Cortou as silvas, tirou as pedras.
ABRIU CAMINHO.
Passou sozinho.
O caminho ainda não era largo para todos.
Tentou passar acompanhado e conseguiu muito a custo.
Tentou abrir mais. Passou mais de uma vez.
Pára e vê o caminho que ele abriu.
Pensa no que lhe disseram e aprendeu sozinho:
CAMINHANTE, NÃO HÁ CAMINHO, FAZ-SE O CAMINHO A ANDAR!
Passaram muitos.
Passaram todos...
Ao fim, todos eram um caminho.
Um caminho que se pisa e não se esquece.

Hélder Ribeiro, in Tempo Livre

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

(Bem) na minha mão...




"...Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação..."


SUSANA FÉLIX


sábado, 9 de fevereiro de 2008

(entre)laços

(entre)laços, Foto de Maria São Miguel

Hoje, no meu percurso de todos os dias, cruzei-me com uma senhora, de alguma idade, que vive na mesma rua que eu, e que conheci num dia em que me confundiu com outra pessoa daqui...

Quando lhe perguntei como estava, vi no rosto dela que alguma coisa a perturbava. Ela contou-me que esta manhã tinha sido hospitalizado um vizinho "nosso", que estava bastante doente, e que possivelmente já não regressaria mais.

As lágrimas rolavam-lhe pela rosto e as palavras sofridas que pronunciava evidenciavam claramente um grande afecto que com a conversa foi desvendando.

Tinham nascido, crescido e vivido toda uma vida muito próximos. Viram os filhos crescer juntos, em saudável convivência e agora que estavam mais velhos eram uma companhia, mútua, que não dispensavam. Para ela, pensar que não o voltaria a ver era, sem margem para dúvidas, sinónimo de dor, de perda, como se de um familiar se tratasse, afinal de contas há laços que se criam tão ou mais fortes que os de sangue.

Admito que não fiquei indiferente a toda esta situação (quem ficaria?) embora conheça mal esta senhora.

Passei o resto do dia a pensar no assunto...nos laços que se criam ao longo da vida e que, com o passar do tempo, deveriam ser cada vez mais fortes... e não consegui evitar que a tristeza se apoderasse deste meu pensamento.
Como poderei criar laços tão fortes se ontem estive num sítio mas hoje estou noutro e possivelmente num futuro próximo já tenha passado por mais uns três ou quatro? As pessoas que conheci outrora, e que considero amigos insubstituíveis, estão hoje longe de mim... e que por mais que queiramos estreitar a distância que nos separa, mais dia menos dia o contacto acabará por se tornar meramente pontual.
E daqui a uns anos?
Será que terei, finalmente, criado raízes num lugar, ter amigos na mesma rua onde moro? Poder partilhar as alegrias e as tristezas? Ver os filhos crescerem em conjunto, e continuarmos a alimentar a amizade de já alguns anos, mesmo que o tempo passe por nós e deixe a sua marca?
Algum dia estarei triste porque um amigo de longa data, que sempre esteve próximo de mim, partiu? E sentirei a mesma tristeza que esta senhora alberga no seu velho coração cansado de algumas perdas já vividas? Ou será este episódio o passado, destes senhores de alguma idade, que jamais será o nosso passado?

(...porque o tempo que vivemos não deixa que as nossas vidas se entrelacem, por mais do que breves momentos...)





domingo, 13 de janeiro de 2008

Não acabou...

"Apoio adiado", de José Almeida


Embora aparentemente abandonado, este meu cantinho está apenas a aguardar a minha chegada... Estou em viagem, tentando fazer um balanço daquilo que fui, do que sou e daquilo que quero ser no futuro!
Enquanto algumas coisas parecem estar bem, outras terão de ser mudadas...e preciso de reunir forças para MUDAR...

Espero voltar em breve...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007


Histórias de Cabeceira e Outras Claustrofobias (Foto de Armindo Dias)


"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música, quem destrói o seu amor-próprio, não se deixa ajudar... Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma nova cor, não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pontos nos is, a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos... Morre lentamente, quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples acto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estádio esplêndido de felicidade."


Pablo Neruda

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

domingo, 7 de outubro de 2007

Canção simples...



...Vem quebrar o medo, vem
Saber se há depois
E sentir que somos dois
Mas que juntos somos mais...

Quero ser razão para seres maior
Quero-te oferecer o meu melhor...

Fazes muito mais que o sol...


Tiago Bettencourt

Boa sorte...



Vanessa da Mata & Ben Harper

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Esquecimento, de Cláudio de Sousa





terça-feira, 11 de setembro de 2007


Tenho a vida de pernas para o ar...
e aqui continuo...impotente, à espera de respostas que tardam!

Sinto-me angustiada, ansiosa e a explodir de insegurança

E o tempo que teima em não passar... Quanto mais terei eu de esperar?

domingo, 2 de setembro de 2007

Incerteza


Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga; quem quase passou, ainda estuda; quem quase amou, não amou!
Basta pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por causa dessa maldita mania de viver no Outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima; o amor enlouquece; o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória e desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, oportunidade; para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor, não e romance.

Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti.
Gasta mais horas realizando, que sonhando...
Fazendo, que planeando...
Vivendo, que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive, já morreu...”


Texto de Luís Fernando Veríssimo

sábado, 1 de setembro de 2007

domingo, 26 de agosto de 2007

Mundo ao contrário...


Visagem, de Karina (em: www.olhares.com)


"Num mundo que parece tão virado do avesso, penso que só não nos sentimos perdidos se, em tudo o que fazemos, procuramos olhar para mais alto e mais longe.
Acredito que, assim, poderemos ser iluminados pela luz que brilha no nosso interior também quando todas as luzes exteriores estiverem apagadas. Sentir-nos acompanhados, acarinhados e amados mesmo que ninguém nos acarinhe nem ame..."

M.J.C.F., Mais e Melhor, 2003