terça-feira, 14 de junho de 2011

Mornaça Lírica

Bailado ao anoitecer, de José Bóia (foto retirada daqui)


Bruma!!!

A bruma é um dia em flor...

A cinza é o mar-total: todo o espaço é perto e curvo!

São rosas estes dias.
Tanto faz ser noite ou dia.

As manhãs dão uma frescura nova, ocorrendo-nos sobre a pele...

Uma garça saíu, branca, agora do cinzento e corre sem fronteiras para os nossos olhos.

A manhã vai alta.

Não há vento ou vozes que acordem este silêncio e façam as folhas voltarem às urzes secas.
O mar está deitado sobre o seu corpo de seda, esta água!
As rosas na ilha é que se movem: aroma de asas!



Carlos Faria



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tributo a Fernando Pessoa

(retirada daqui)


Sou um guardador de rebanhos


Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro


Porque hoje somam-se 123 anos desde o nascimento do inigualável e genial Fernando Pessoa, partilho um dos poemas que mais gosto, de um dos seus heterónimos - Alberto Caeiro, porque acredito que é nas pequenas coisas da vida que podemos beber felicidade - um sorriso, uma tarde de sol, uma música, um abraço, a companhia de um amigo... Por vezes é quanto basta para nos sentirmos em plena comunhão com o [nosso] mundo.


sábado, 11 de junho de 2011

Segredos do Acúcar, de Carlos Teixeira (retirada daqui)


O som da máquina de escrever do vizinho de cima é como o tiquetaquear metálico e persistente do
relógio que, em noite de insónias, rouba o protagonismo ao silêncio do sono. Os meus dedos não acompanham as palavras que ganham vida própria e se escondem debaixo dos caracóis dos meus cabelos. Só o fazem para me segredar histórias. Algumas minhas, outras não.

Escrever na areia, de Vera (retirada daqui)


«Havia um livro imaginário com páginas que latejavam ao ritmo da sua própria angústia. As palavras eram soletradas a uma distância que me impossibilitava de as repetir, e muito menos escrever. Corri pela rua fora. Cheguei ao paredão da rocha. Voltei-me. De braços na horizontal, em paralelo com o horizonte, fixei o olhar para além das pequeninas montanhas que se elevavam por detrás da mancha esbranquiçada do casario. Olhei o moinho. Sorri-lhe. Minha testemunha de insossego. Companheiro fiel de noites em que naveguei à deriva. De respiração contida, pus-me à escuta. Reconheci, afinal, que as palavras eram a voz que, há séculos, me perseguia como sombra, misto de agonia e ternura. Tentei, a medo, iniciar um diálogo que foi interrompido logo que a primeira sílaba da minha boca se despediu, no ar. Foi a voz que falou primeiro:

- Não sabes como iniciar esta estória, não?

Tal pergunta era exactamente a que eu esperava. Como rafeiro envergonhado, refugiei-me no gesto de desenhar pequenos círculos com o meu pé descalço no chão de areia solta e juncado de palha. A voz pareceu-me sorrir. E ordenou-me:

- Escreve, já que o teu tempo foge como as nuvens sopradas pelo vento. Escreve!»

José Francisco Costa (in Mar e Tudo, 1998)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tempo de voar, de Oscar Sila (in: www.olhares.com)

«Vivemos de palavras... Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem.»

Raul Brandão


sábado, 23 de abril de 2011

Linhas Cruzadas



Reajo a esse incómodo olhar
Nem quero acreditar
Que vem na minha direcção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração

E falas de ti
E falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor

E falas de ti
E falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdido no teu olhar

[Virgem Suta]


(foto daqui)


Uma mulher não precisa de estar bonita...
Precisa, sim, de se sentir bonita!



terça-feira, 12 de abril de 2011

Katherine

Livros por ler, de Pedro Payalvo (retirada daqui)


Não lhes resiste. Seja biblioteca ou livraria nunca de lá sai sem companhia.

Esquece que o tempo se perde. Capítulo após capítulo viaja a épocas desconhecidas, conhece personagens para as quais deseja roubar as cores ao arco-íris e pintar-lhes um final feliz; para outras apenas deseja ter, à mão, uma borracha para as apagar da história. Vive intensamente aventuras que não são as suas. Sofre e ri. Assusta-se e deixa-se contagiar pela magia das palavras.

A última página de cada livro sabe à nostalgia do último dia de férias. Um cair da tarde inspirador que se deseja eterno. No final, e antes de guardar o livro na estante, reserva sempre algum tempo para se despedir dele. Uma nova viagem está prestes a começar!


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pesadelo

Desespero, de Bruno Moreira (retirado daqui)


Regresso, vezes sem conta, ao inferno onde durante muito tempo fui. Não passei de um fugitivo.

O calor dos dias intermináveis, a vegetação a agredir-me o corpo encharcado de medo e o eco dos corpos inertes perdidos para sempre naquele labirinto, fragmentos de histórias inacabadas povoam-me e não me libertam.
Acordo, sentado na cama, com uma angústia que me toma.

Lá fora chove…
Arrepio-me de frio e, depressa, aconchego-me nos cobertores, aninho-me junto ao teu corpo quente. Concentro-me na tua respiração para apaziguar esta tormenta que me invadiu e me impede de dormir. Pouco a pouco o tumulto dissipa-se.
Ao longe troveja, percebo-o pelo clarão que estilhaça na janela grande do nosso quarto.
Porém, apesar deste pesadelo, anseio, mais do que ontem, que o amanhecer tarde em chegar. O dia rompe a linha do horizonte, denso, cinzento como as minhas olheiras. Mal dormi.
Chegou o momento da partida e sou mais um que sobe as escadas do navio, rumo ao desconhecido continente africano. Até já? Até sempre? Não sei, é cedo demais para o saber.



sexta-feira, 11 de março de 2011

sem nome, de Adriane (in: www.olhares.com)


"Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. Às vezes, são até estes golpes do destino que se substituem à nossa vontade paralizada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos."

Miguel Sousa Tavares, in Rio das Flores


quarta-feira, 9 de março de 2011

Escrever é:


Pôr ou dizer por escrito.
Encher de letras.
Compor, redigir.
Ortografar.
Fixar, gravar.
Representar o pensamento por meio de caracteres!.
Dirigir-se por escrito a alguém.
Formar letras.
Ser escritor.


[Gosto particularmente do escrever como encher de letras...]



terça-feira, 8 de março de 2011

Espaço impossível




Se és de ferro queres quebrar,
Se és de pedra queres sentir,
Se és de vento queres ter paz,
mas se encontras queres fugir.
Se tens vida queres mudar, mas se mudas não te vês.
Quem procura encontrar, quem encontra para esquecer.

Como a noite amanhece, qualquer santo enlouquece.

Quando acordas queres amar, e que o mundo faz-te frio,
como água quer ser mar e chuva quer ser rio.
Se és semente queres crescer, mas sem água vais secar,
vais ser tu a ir buscar o que o mundo não te der.

Como a noite amanhece, qualquer santo enlouquece.

Queres o espaço impossível, queres arder o que apagou,

queres a escolha que passou.
Mas tudo é o que tem de ser, tudo flui ou te faz crescer.
Levo para o mar,
Tudo é o que tem de ser, tudo é o que tem de ser.


Quando dói não vais gostar, mas não sais sem repetir.

quando voltas dói-te mais, mas não sabes resistir.
Porque pomba quer ser águia e a águia o falcão,
como um mar quer tempestade, e a tempestade furacão.
vais prender-te ao precipício, porque o perigo é um vício.

Queres o espaço impossível, queres arder o que apagou,
queres a escolha que passou.
Mas tudo é o que tem de ser, tudo flui ou te faz crescer.
Levo para o mar
Tudo é o que tem de ser,

tudo é o que tem de ser, tudo tem de ser,
tudo tem que ser. Tudo é o que tem de ser,
tudo é o que tem de ser.

Levo para o mar...

Tiago Bettencourt



domingo, 6 de março de 2011

Mania de ser diferente, de Cláudia F. (in: www.olhares.com)


"A originalidade não reside em dizer o que ninguém antes afirmou, mas sim em dizer exactamente o que pensamos."

James Stephen


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cumplicidade, de Paulo Silva (in: www.olhares.com)



«O amor é um sentimento empático e simpático!»
J.M.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

(grandes) Certezas

de costas voltadas, de Jorge Feteira (in: www.olhares.com)



De tudo, ficam apenas três coisas:
A certeza de que estamos sempre recomeçando...
A certeza de que precisamos de continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto,
Devemos fazer da interrupção um novo caminho,
da queda um passo de dança,
do sonho uma ponte,
da procura um encontro...

Fernando Sabino


quarta-feira, 10 de novembro de 2010


Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo.

Gandhi



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Somos o avesso um do outro...



... Quando duvidas, paras, e eu sigo em frente... Quando tens medo, eu tenho vontade; quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade, quando te entristeces, fechas-te numa concha e eu choro para o mundo; quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho; quando alguém te empurra, tu foges e eu deixo-me ir.

Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo a avançar. Como duas metades teimosas , vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que tu te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz...

MRP


domingo, 31 de outubro de 2010

M.& L.

Detalhes de um dia feliz (da autoria de Hugo Tinoco)


Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a virtude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou.

E ainda que reparta todos os meus haveres e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita.

O amor é paciente, o amor é benigno; não é invejoso, não é altivo nem orgulhoso; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor não acaba nunca.

Que o vosso amor se mantenha sereno, sonhador e, sobretudo, inspirador!


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Talvez...

Guarda roupa, de Luís M. Cunha (in: www.olhares.com)


Como quem, pela manhãzinha, escolhe a roupa que vai vestir seria óptimo podermos escolher os nossos pensamentos...



terça-feira, 5 de outubro de 2010

Só mais uma volta...



Só mais uma volta
Só mais uma volta a mim
Só mais uma volta desta ninguém vai cair
Só mais uma vez que vês que ninguém está aqui
Queres só mais uma volta e desta ninguém vai cair

Tempo frio afasta o tempo que nos afastou

Primavera lança o laço que nos amarrou
Tempo quente dá vontade de não resistir
Queres só mais uma volta e desta ninguém vai cair

Ainda te sinto a seguir

o rasto que deixo a correr
ainda penso em ti...
pensa em mim,
mas só mais uma vez.

Diz-me ao que queres jogar que eu vou querer também

Diz-me quanto queres de mim para te sentires bem
Não te vejo bem ao longe não sei distinguir
Queres só mais uma volta e desta ninguém vai cair

Ainda te sinto a seguir

o rasto que deixo a correr
ainda penso em ti...
pensa em mim,
mas só mais uma vez.

Diz-me quanto tens de honesto, quanto tens de bom

Diz-me quantas provas queres, diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro, não sei perceber...
Queres só mais uma volta, desta ninguém vai dizer.

Ainda te sinto a seguir

o rasto que deixo a correr
ainda penso em ti...
pensa em mim,
mas só mais uma vez.



TIAGO BETTENCOURT & MANTHA


(Hoje acordei assim, com vontade de "devorar" todos os cd's do Tiago)



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A tempestade...

Desalento II, de Silvério Santos (in: www.olhares.com)

É tempo de apurar os estragos perceptíveis desta tempestade que devastou o meu ser.

Apesar de me sentir partida, desfeita em pedaços e de se apoderar de mim uma apatia que quase me deixa imóvel, não consigo evitar analisar milimetricamente tudo o que contribuiu para me sentir assim...
Sinto-me (ainda) pior por isso... por não conseguir despegar de mim esta análise cerebral, esta obsessão de encontrar (sempre que posso) relações de causa - efeito, interpretações falaciosas que, por breves momentos, parecem dar sentido ao que não tem necessariamente que fazer sentido...

sábado, 2 de outubro de 2010

(Sentimentos, de jOh - in: www.olhares.com)

Os dias prósperos não vêm ao acaso - são granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento.

Camilo Castelo Branco


Chaga




Foi como entrar, foi como arder!
Para ti nem foi viver!
Foi mudar o mundo sem pensar em mim!

Mas o tempo até passou,
e és o que ele me ensinou:
uma chaga p'ra lembrar que há um fim!

Diz sem querer poupar meu corpo:
"Eu já não sei quem te abraçou."
Diz que eu não senti teu corpo sobre o meu!
Quando eu cair eu espero ao menos que olhes para trás!
Diz que não te afastas de algo que é também teu!

Não vai haver um novo amor,
tão capaz e tão maior,
para mim será melhor assim!
Vê como eu quero e vou tentar,
sem matar o nosso amor,
não achar que o mundo é feito para nós...

Foi como entrar, foi como arder!
Para ti nem foi viver!
Foi mudar o mundo sem pensar em mim!

Mas o tempo até passou,
e és o que ele me ensinou:
uma chaga p'ra lembrar que há um fim!

Uma chaga p'ra lembrar que há um fim...

ORNATOS VIOLETA

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dados viciados

Os dados estão lançados, de João Alves (in: www.olhares.com)


Invade-me uma constante sensação de dejá-vu...
Soltam-se fragmentos de histórias passadas e (quase) esquecidas...
Perdem-se dentro de mim e perco-me nelas...
Mais uma vez, antevejo o desfecho deste jogo viciado...


domingo, 5 de setembro de 2010

A luta continua...



Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
pois o triunfo pertence a quem se atreve...
A vida é muito para ser insignificante!


Charles Chaplin


Porque há sempre qualquer coisa por fazer...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Constatação

Dia dos Pais, de Ricardo Alfredo Santos (in: www.olhares.com)


Percebemos que realmente somos independentes quando os nossos pais dependem de nós (de uma mera opinião ou conselho nosso) para fazer algo aparentemente simples...



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Arruma(recorda)ções

Up and down, de Lynn (in: www.olhares.com)


Ontem, porque o tempo não convidava a grandes saídas, foi dia de arrumações. E arrumações é, salvo raras excepções, sinónimo de recordações.

Ontem, recuei no tempo, voltei (por momentos) à minha infância e adolescência... e a minha memória libertou, das gavetas do passado, pedaços de recordações de todo o meu processo de crescimento, que contribuíram para a pessoa que sou hoje...


Por fim, fecho os caixotes, e dou por completa esta minha doce viagem... Guardados ficam
pedaços de história, da minha história!



domingo, 15 de agosto de 2010





As ruas da minha cidade
Abriram os olhos de encanto para te ver passar

As pedras calaram os passos
E as casas abriram janelas, só p'ra te ouvir cantar

Porque há muito, muito tempo
Não vinhas ao teu lugar
Ninguém sabia ao certo onde te procurar

Da próxima vez
Não vás sem deixar destino ou direcção
Se houver próxima vez, não esqueças
Leva contigo recordação e um beijo pendurado
Ao peito do teu coração

Quisemos saber como estavas
Se a vida tinha tomado bem conta de ti

Ou se a vida teve medo
E eras tu que a levava
, refugiada em ti

Cada Verão que passava, sentíamos-te chegar
Como era possível que o Sol se atrevesse a brilhar


Deves trazer tantas histórias
Tantas que algumas ficaram caídas por aí

Outras eu tenho a certeza, o teu fogo na alma queimou
Deixaram de existir

Só queremos saber se és a mesma que vimos partir
Não existe mundo lá fora que te possa destruir


Tenho a certeza que não sou a mesma que partiu, mas há coisas que nunca mudam...
Uma delas é saber-me bem os mimos daqueles que anseiam e alegram-se com o meu regresso às origens...

E é tão bom receber estes mimos...:-)


sábado, 14 de agosto de 2010

Agosto, mês de vi(r)agem!

No cimo da montanha, de Miguel Afonso (in: www.olhares.com)


Esperava, ansiosamente, este momento.
Como se estivesse chegado ao cimo de uma montanha, e antes de me preparar para a descida, fizesse uma pausa...

Depois desta subida árdua, não fui derrubada mas sinto-me mais forte! Agora só preciso de ficar aqui a olhar o céu, beber das cores quentes do pôr do sol e respirar este ar renovado.

Está breve um novo amanhecer...sinto-o!

Este Agosto é sinónimo de viagem (até às origens!) e de viragem...como já começo a querer estar "habituada"
...


A chegada

Nas nuvens, de Alexandre Carvalho (in: www.olhares.com)


Depois de um dia que começou cedo demais e de sentir o peso do cansaço desta longa viagem, não posso renegar a tranquilidade que me invadiu ao pisar o solo desta "minha" terra.

Já me tinha (quase) esquecido como sabe a serenidade, quando da nossa pequena janela vemo-nos a sobrevoar as nuvens... brancas e suspensas a fazer lembrar algodão doce...

Como é doce esta dádiva da Natureza, tão invisível e insignificante aos olhos dos demais que apenas anseiam pelo momento da aterragem e pelo fim desta viagem... Mas tento não pensar no seu desfecho e absorvo estes momentos, deixo-me invadir por essa serenidade, cada vez mais um artigo de luxo, nos dias que correm freneticamente...

Chego ao meu destino tranquila...(e não! não é apenas o cansaço que se apodera do meu ser)... começa agora a viagem, a minha viagem!




terça-feira, 10 de agosto de 2010

O futuro e o que nele projectamos...

Além do Horizonte, de Paulo Henrique Rodrigues (in: www.olhares.com)


"Somos e realizamo-nos em função de uma escala temporal dividida entre passado, presente e futuro. Não somos sem tempo. Não existimos fora dele. Por muito que nos isolemos ou que tentemos não pensar o tempo está lá. Sempre.

Não é pois por acaso que a nossa relação com o tempo condiciona aquilo que somos, o que fazemos, a forma como vivemos e o que sentimos...

A dimensão temporal «futuro» está a transformar-se numa das nossas angústias existenciais mais limitativas. Até por questões culturais e de educação, o futuro é-nos apresentado como incerto, o lugar de todas as possibilidades (desconhecidas e incertas), o lugar onde tudo pode acontecer, o lugar que não podemos controlar. O lugar da concretização dos nossos desejos e dos nossos sonhos mas, igualmente, o lugar da ansiedade e da angústia face à possibilidade de não conseguirmos. O lugar onde podemos vir a sofrer. O lugar onde podemos vir a não ser...

De facto, a nossa felicidade passa muito pela forma como somos ou não capazes de nos projectar no futuro. Embora podendo estar a passar por um momento difícil, aquilo que verdadeiramente nos paralisa é a possibilidade da nossa situação angustiante se manter ou agravar-se. E, nestes momentos de angústia, passamos a sentir não tanto a vivência do momento mas o receio de que o momento angustiante se venha a agravar, que seja algo interminável...

Ver o futuro como um lugar inseguro é uma atitude de sabotagem da nossa própria acção e das nossas capacidades, da nossa força de vontade. Uma atitude de sabotagem daquilo que nos faz ultrapassar os obstáculos (naturais) que a vida nos apresenta (e nos apresentará sempre)! Força de vontade que é inata em nós mas que, tantas vezes, não usamos.

Por isso, deixemo-nos de pensar nas incertezas e naquilo que podemos perder no futuro. Concentremo-nos, em vez disso, naquilo que podemos vir a ganhar. Concentremo-nos em tudo aquilo que enche os nossos corações de felicidade. Veremos que, no futuro, a felicidade que projectamos estará lá..."

Teresa Marta
Consultora de Bem-estar e Desenvolvimento Pessoal


Tela

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

No limite...

Fúria, de Vítor Manuel Ribeiro (in: www.olhares.com)


Há dias em que tudo leva a crer que nos estão a testar os limites...

Pelo sim pelo não, mais vale "engolir" água do que fazer rebentar a ondulação naqueles que a provocaram nas profundezas do nosso ser!!



sábado, 7 de agosto de 2010

A ver vamos...


[porque] tentas de novo...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Finalmente sexta-feira!

Innocent walk, de Daniela Sousa (in: www.olhares.com)


Custou mas consegui sobreviver a mais uma semana " cheia" de trabalho, insónias, revelações e muitas emoções à mistura!

domingo, 1 de agosto de 2010

Quando dás um pouco mais...




Tem mais sabor se é por amor
brilha mais o que é bonito
Kuya bué... se for sem pé! Kuya bué... se for na fé!
É bom sinal, se é natural deixa fluir
Gosto quando dás um pouco mais de ti,
Fico feliz quando dás um pouco mais de ti!


Deixa cair o véu, prometo não cairá o céu, deixa-te revelar... prometo, a música vai te embalar
Vá...deixa-te levar de olhos fechados, tens que te abandonar para poder voar
Gosto tanto quando dás um pouco mais de ti,
Fico feliz quando dás um pouco mais de ti!


Balança na mudança, com esperança, flutua balançando feito criança.
O nosso bailoço é...? O meu baloiço é...?

Uma trança de cabelo de uma deusa do Olimpo celeste!
Que a beleza sempre se manifeste!
deixa-te levar prometo a música vai te embalar,
Sente a frescura: brisa doce na cara


Edifica positiva,
Energiza, saboreia o dia...


Sara Tavares


Em contagem decrescente...

Em contagem, de Cláudia (in: www.olhares.com)


... para as férias e o regresso às origens!


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Estou à tua espera..., de Maria (in: www.olhares.com)


Acabaremos nós sempre por chegar onde nos esperam...?

E será que nos esperam mesmo?!


domingo, 25 de julho de 2010

Em frente, de Vieirinha (in: www.olhares.com)


"Vamos crescendo, mudando de forma, deparamo-nos com algumas fraquezas que têm de ser corrigidas, nem sempre escolhemos a melhor solução, mas apesar de tudo continuamos em frente, tentando manter-nos erectos, correctos."


Paulo Coelho (Zahir)


De vez em quando...

Cais ao amanhecer, de Patrícia Espada (in: www-olhares.com)


... E de quando em vez voltamos a um (qualquer) cais de onde, um dia, içámos âncoras e partimos em busca de novos destinos, convictos que nunca regressaríamos... Contudo, a vida é demasiado imprevisível, o "nunca" um termo dúbio e vezes sem conta vemos que nos trocaram as voltas!

Nos últimos tempos, na mesma medida em que vou em busca de novos destinos, vejo-me a regressar a lugares passados... talvez por navegar ao sabor do vento e nem sempre este me guiar rumo ao desconhecido...

E agora que os revisito vejo-os com um outro olhar, percebo-lhe as diferenças e confronto essas constatações com os apontamentos do meu pequeno diário de bordo, e pouco parece estar em consonância...

Porque voltei?
Será que no passado a minha passagem por cá não fazia qualquer sentido e foi um mero "acidente de percurso", um desvio forçado para evitar alguma tempestade em alto mar?
Será que desta vez, este acaso não é por acaso...?
Será uma forma de recuar no tempo e substituir as reticências finais por novos dados concretos e, assim, encerrar definitivamente um capítulo?



segunda-feira, 19 de julho de 2010

E de repente...

Praia Vieira Sunset, de Ricardo Gouveia (in: www.olhares.com)


... parece que toda a gente está de férias menos eu,
e ainda faltam duas eternidades e meia até que a minha vez chegue!



terça-feira, 13 de julho de 2010

Um contra o outro...



Anda
Desliga o cabo que liga a vida a esse jogo
Joga comigo um jogo novo
Com duas vidas - Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
E ao fim ao cabo que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçarmos sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa, encosta o carro, sai da corrida
Larga essa guerra que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível, sai do estado invisível
Põe o modo compatível com a minha condição
Que a tua vida é real e repetível
Dá-te mais que o impossível se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens...

Anda
Mostra o que vales, tu nesse jogo vales tão pouco
Troca de vício por outro novo
Que o desafio é corpo a corpo

Escolhe a alma, a estratégia que não falha - o lado forte da batalha
Põe no máximo que der

Dou-te a vantagem: tu com tudo e eu sem nada
Que mesmo assim desarmada, vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens...

(Deolinda)



quinta-feira, 8 de julho de 2010


...Feliz quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
a natural ventura!


Ricardo Reis

Cada dia sem gozo não foi teu

segunda-feira, 5 de julho de 2010